Há coisas tão boas que se fazem, que merecem ser partilhadas com os amigos!
terça-feira, maio 27, 2008
O REGRESSO E A MUDANÇA
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Pausa...
Até breve e obrigado a todos os que custumam visitar este blog!
quarta-feira, janeiro 09, 2008
As vozes de "Zeca" - 4 (O último...pelo menos para já)
O poema “que amor não me engana”, já foi cantado pela voz de Eugénia Melo e Castro, Dulce Pontes, entre outra(o)s.
Que amor não me engana
Que amor não me engana
Com a sua brandura
Se de antiga chama
Mal vive a amargura
Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia
E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito
Muito à flor das águas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira
Em novas coutadas
Junto de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera
Assim tu souberas
Irmã cotovia
Dizer-me se esperas
O nascer do dia
José Afonso
quinta-feira, dezembro 27, 2007
As vozes de "Zeca" - 3 (Negro esperança)
O 3º post da série dedicada aos artistas que têm cantado, e honrado a obra de José Afonso vai mais uma vez ao encontro de uma extraordinária voz feminina.
Aproveitando também a maré de sucesso e reconhecimento tanto a nível nacional como internacional, é justo, falar de Mariza.
Da voz…que dizer? Mas quando a juntar a isso parece transparecer humildade, generosidade, simpatia e simplicidade para com o público, imprensa, é de louvar que estejamos tão bem representados na voz de uma pessoa que parece cultivar essas qualidades.
O ar jovem e bem disposto de alguém cuja imagem é já esteticamente forte, é salutar na música portuguesa em geral e muito particularmente no fado. Menino do Bairro Negro, é uma composição belíssima de Zeca Afonso, com uma mensagem de esperança às mais humildes existências. Numa versão transformada em fado, não será melhor que o original…diferente é sem dúvida, e bonita com toda a certeza.
Menino Do Bairro Negro
Mariza
Composição: José Afonso
Olha o sol que vai nascendo,
Anda ver o mar,
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Menino sem condição
Irmão de todos os nus
Tira os olhos do chão,
Vem ver a luz
Menino do mal trajar
Um novo dia lá vem
Só quem souber cantar
Virá também
Negro, Bairro negro,
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
Menino pobre teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção
Olha o sol
Que vai nascendo...
Se até dá gosto cantar
Se toda a terra sorri
Quem te não há-de amar
Menino a ti?
Se não é fúria a razão
Se toda a gente quiser
Um dia hás-de aprender
Haja o que houver
Negro bairro negro,
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção
Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
sábado, dezembro 08, 2007
As vozes de "zeca" - 2
Maio Maduro Maio
Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul
Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andavaA
o longe a varar
Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar
Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça
A turba rompeu
José Afonso
sexta-feira, novembro 30, 2007
As vozes de "zeca" - 1
Uma das coisas que mais me irrita é o fundamentalismo político de pessoas que, qual asno de palas nos olhos, se recusa a ver o óbvio. “Zeca” é muito mais que politica ou cantigas revolucionárias.
“Zeca” nunca deixou de assumir os ideais de esquerda, e o seu espírito revolucionário, infelizmente ser honesto e assumir de peito aberto a luta pelo que se acredita nem sempre compensa neste país. Mas a obra de José Afonso é poesia, é fado de Coimbra, são baladas, composições musicais belíssimas tanto ao nível do tradicionalismo musical português como na abertura de novas portas para a fuga ao marasmo criativo mostrando o caminho para uma vertente inovadora e futurista que muitas das suas obras representaram para a época.
Para começar Cristina branco interpretando “redondo vocábulo”, arrisco a dizer que Zeca ficaria orgulhoso ao ouvir esta versão irrepreensivelmente cantada por tão bela voz:
Era um redondo vocábulo
Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos
Polpas seus cabelos
Resíduos de lar,
Pelos degraus de Laura
A tinta caía
No móvel vazio,
Congregando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas
A fúria crescia
Clamando vingança,
Nos degraus de Laura
No quarto das danças
Na rua os meninos
Brincando e Laura
Na sala de espera
Inda o ar educa
quinta-feira, novembro 15, 2007
Acordar Tarde
AQUI é possível consultar parte da sua obra e a sua biografia.
Um dos mais belos poemas de Al Berto foi, em 2004, interpretado por Jorge palma e incluído no seu álbum “Norte”. Um dos melhores discos, na minha opinião da carreira de Jorge Palma de onde se pode destacar uma qualidade instrumental notável e onde sobressai entre outros a contribuição do contrabaixista português Carlos Bica, um dos músicos nacionais mais requisitados e conceituados no estrangeiro.
Piano e Voz - Jorge Palma
Contrabaixo - Carlos Bica
Clarinetes baixo e si bemol – Paulo Gaspar
Guitarra eléctrica – Marco Nunes
Baixo eléctrico – Miguel Barros
Bateria – André Hollanda
Secção de cordas dirigida por António Augusto Gaspar
A junção desta boa gente deu numa música que começa na melancolia, para explodir num poderoso instrumental e acabar de novo no lento embalo dos sentidos, num sussurrar dos últimos versos.
Este é o Vídeo que fiz para aqui colocar. Espero que gostem mas o melhor é mesmo ir lendo o poema que lhes deixo logo de seguida.
A propósito de Jorge Palma… na próxima terça-feira dia 20 todos ao coliseu! Eu vou lá estar eheheh e roam-se de inveja os que não forem porque tenho a sensação que vai ser daqueles concertos que dificilmente se esquecem!
segunda-feira, novembro 05, 2007
Letras

Nem só de prémios Nobel, de Lobos Antunes e demais notáveis são feitas as nossas letras.
Nem só de romances e romancistas, de poemas e poetas se faz a literatura.
O escritor português do qual li mais obras chama-se Miguel Esteves Cardoso, não os romances que escreveu, mas sim os seus livros de crónicas.
“A causa das coisas”, “As minhas aventuras na republica portuguesa”, e “O último volume” entre alguns outros são exemplos da genialidade do autor.
Da análise brilhante da tragédia até à gargalhada vinda do humor corrosivo e irreverente é um pequeno passo.
Miguel Esteves Cardoso é um crítico, escritor e destacado jornalista português, licenciou-se em Estudos Políticos e Doutorou-se em Filosofia Política.
Desde o arrebatador "Elogio ao Amor" até às hilariantes explicações dos mais peculiares hábitos do cidadão português, Esteves Cardoso mostra compreender como poucos o país e o seu povo. Ensina-nos que a tomada de consciência dos nossos defeitos e virtudes passa em primeira instância pela capacidade de rir de nós próprios…de levar o exagero ao ponto do ridículo e mesmo assim ser sábio nas palavras ditas.
"(...) Quando se é feliz muito novo, a única obsessão que se tem é aguentar a coisa. Vive-se ansiosamente com a desconfiança, quase certeza da coisa piorar. O pior é que as pessoas que se habituaram a serem felizes não sabem sofrer. Sofrem o triplo de quem já sofreu.É injusto mas é assim. No amor é igual. Vive-se à espera dele e, quando finalmente se alcança, vive-se com medo de perdê-lo. E depois de perdê-lo, já não há mais nada para esperar. Continuar é como morrer. As pessoas haviam de encontrar o grande amor das suas vidas só quando fossem velhas. É sempre melhor viver antes da felicidade do que depois dela." Miguel Esteves Cardoso
terça-feira, outubro 02, 2007
Venham mais 20....
A brincar a brincar, já lá vão 20 anos de estrada…
Tudo começou em Tomar na quinta do sr. Guilherme, cuja alcunha era “Bill”…o resto é história.
Com pezinhos de lã, os Quinta do Bill vingaram pela seriedade e pela qualidade musical.
Comemoram por estes dias 20 anos de carreira. Nunca se “venderam” ao som comercial das modas que ao longo de muitos anos de carreira fizeram a tentação de muitos outros.
A qualidade instrumental, bem como a diversidade de instrumentos que enchem o palco quando os quinta do bill tocam, é para mim a chave do sucesso. A sonoridade da banda é diferenciada, por vezes um pouco “country”, ou talvez com algo de “celta”, tribal, certamente com muito rock…mas tradicional também! Alguém consegue definir melhor?
O primeiro grande impulso mediático foi dado com os “filhos da nação”, musica essa que está definitiva e irremediavelmente “doada” para a eternidade ao cancioneiro da musica portuguesa.
Mas se formos contar, os sucessos não se contam facilmente pelos dedos…"No trilho do sol" , "Se te amo" , A única das amantes, voa, Sra. Maria do olival, entre outras são todas elas canções que foram ficando de forma a que todos nós as saibamos no mínimo trautear.
A entrega da banda à cultura popular foi sempre inquestionável, "Menino" é um exemplo de uma musica do tradicional cancioneiro popular “reciclada” pela quinta do bill que lhe deu uma energia contagiante!
Mais recentemente surgiu, quem sabe, o disco mais conseguido da banda “A Hora das Colmeias”, as letras…a poesia que é cantada saiu das mãos de gente como Tim, Pedro Abronhosa, José Luís Peixoto, Adolfo Luxúria Canibal, João Afonso entre outros…
A música, O Mundo para ti, escrita por José Luís Peixoto, é arrebatadora na força do refrão impulsionado pela tremenda força do “coro” de violinos sempre em crescendo…
José Luís Peixoto
Procuro o teu olhar urgente
Como ternura devagar
Como inocência de repente
Distingo a lua do luar
Caminho e corro sem saber
Toda a distância da vida
Quero encontra-te para aprender
Labirintos sem saída
Oh, eu hoje acredito que o mundo
Nasceu para tiOh, eu hoje acredito que o mundo
Existe para ti
Tantas planícies na terra
para te dedicar
Os horizontes e o céu
Para te oferecer
Todo o tamanho do mar
Montanhas altas para te dar
Oh, eu hoje acredito que o mundo
Nasceu para ti
Oh, eu hoje acredito que o mundo
Existe para ti
O mundo para ti
Só para ti
Vem, espero por ti
Tenho o mundo para te oferecer
Oh, eu hoje acredito que o mundo
Nasceu para ti
O mundo para ti
Só para ti
http://www.myspace.com/quintadobill
terça-feira, setembro 18, 2007
Umpletrue
Que me perdoem os que estão habituados a que aqui apareçam artistas consagrados de reconhecida obra, mas desta vez, e porque se um familiar vosso tivesse uma banda fariam o mesmo (…ou não) vou tomar a liberdade de publicitar um projecto em cuja qualidade eu acredito convictamente mas que só agora começa a estar disponível ao grande publico.
Os Umpletrue nasceram em finais de 2003 na Marinha Grande assumindo a sonoridade Electro / Pop.
Foram finalistas do Termómetro Unplugged, vencedores do Festival Música Moderna Palmela, e têm actuado um pouco por todo o país, assim como merecido o destaque no programa da antena 3 ”Portugália” de Henrique Amaro.
Em finais de 2004, lançaram em nome próprio o seu primeiro EP "Pills". Em 2006, lançaram também em nome próprio e em estilo de EP, "Fab Fight" que lhes valeu, entre outros concertos, uma deslocação a Budapeste, na Hungria para participar no LSC Festival
Na plateia encontravam-se Adolfo Luxúria Canibal e António Rafael que se renderam à banda e, como responsáveis da editora Cobra Discos (Braga), resolveram editar Umpletrue.No inicio de 2007, assinaram então com a Cobra Discos e o resultado é a edição oficial de "Fab Fight" lançado no mercado no dia 13 de Setembro de 2007. (texto parcialmente roubado daqui )
NO MYSPACE DOS UMPLETRUE PODEM OUVIR E SABER MAIS http://www.myspace.com/umpletrueband.
AQUI FICA O CALENDÁRIO DO TOUR DE "FAB FIGHT"
sexta-feira, agosto 31, 2007
Porto Cantado
Das canções mais populares que todos sabemos pelo menos trautear, passando por algumas das mais belas composições a que nenhum coração fica indiferente.
É justo, no entanto, dividir o mérito do seu sucesso com Carlos Tê, genial escritor de canções que mantém uma forte relação de cumplicidade com Rui Veloso.
Porto Sentido é para mim uma canção cuja proximidade da perfeição faz arrepiar a pele de quem, mesmo que por um só dia, contemplou ao vivo a cidade do Porto. Mais que uma canção, é o mais perfeito retrato cantado que podemos contemplar de tão belo lugar. Os sons e as palavras pintam na tela da paisagem Portuense o retrato perfeito da melancolia que mais parece inventada de uma cidade que respira o fulgor da vida na alegria da sua gente, na encantada sombra das suas ruas e no d’ouro que é o rio que no Porto cresce para o mar no auge da sua beleza.
Vale a pena atravessar a ponte, para no outro lado superar o choque do jeito fechado e sombrio e descobrir todo o brilho de uma cidade quem sabe receber que chega de novo, e que consegue roubar um pouco do coração de todos os que um dia se aventuraram a apaixonar-se por ela.
sábado, agosto 04, 2007
O tempero da cor
A nossa cultura, chega-nos ainda hoje com o cheiro doce de cacau brasileiro, ou com o calor de uma dança africana temperada com as melhores especiarias orientais.
…nascido do poema de Alda Lara:
Mãe Negra
Pela estrada desce a noite
(Alda Lara, 1951)
segunda-feira, julho 23, 2007
Almada Negreiros
"Namoro" Almada NegreirosEstorva-me a terra por causa do sonho
estorva-me o sonho por causa da terra
eu ando na guerra do sonho com a terra.
Senhores empregados do mundo
tenham santa paciência
vale mais a vida do que a existência.

Nasceu em S. Tomé em 1893 tendo falecido em Lisboa em 1970.
Será sempre um dos nomes maiores da nossa cultura, por ser um artista multifacetado mas sobretudo pela genialidade imposta em todas as suas criações.
Fez parte da revista Orpheu, tornando-se juntamente com Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro entre outros um dos nomes essenciais do modernismo.Aqui numa interpreação fantástica pela voz de outro grande nome, Mário Viegas, um dos melhores actores e encenadores portugueses de sempre, declamava a poesia como poucos:
segunda-feira, junho 25, 2007
Preto no branco
A obra de Gedeão não se resume ao poema “Pedra Filosofal”, nem à “calçada de Carriche” nem tão pouco se reduz à poesia.
António Gedeão , é mais que um poeta, é um homem da ciência, provido de uma sensibilidade e um humanismo por vezes comovente.
Pseudónimo de Rómulo de Carvalho, António Gedeão "licenciou-se em Ciências Físico-Químicas pela Universidade do Porto em 1931, traduziu como ninguém, a ciência para os leigos, desvendando segredos científicos com a mesma simplicidade com que os exemplificava.
Afirmando-se como um dos mais brilhantes e talentosos criadores lusófonos do século XX, professor, pedagogo e historiador da ciência , demonstro um espírito extremamente marcado pelo cepticismo e pela ironia, sempre presentes nos seus poemas."
Lágrima de Preta é um poema comovente na sua simplicidade, é um hino à luta anti-racista que Gedeão publicou num tempo em a guerra colonial e o regime abafavam o evoluir dos ideais de tolerância e de irmandade entre os povos.
Neste poema Gedeão usa a poesia para explicar cientificamente que afinal a lágrima de um preta é tão cristalina como outra qualquer.
Será este poema parte obrigatório no programa de ensino da nossa língua nas escolas? Se não é, devia ser. Pois a formação moral deve ser a base de todo o conhecimento.
Encontrei uma preta
Recolhi a lágrima
Olhei-a de um lado,
Mandei vir os ácidos,
Ensaiei a frio,
nem sinais de negro,
Lágrima de preta
(António Gedeão)
terça-feira, junho 19, 2007
Julio Pereira
As notícias recentes do regresso aos albums de Julio Pereira enquanto autor e interprete fizeram-me reavivar algumas memórias de infância.
Memórias das noites junto à lareira a ver tv em que o meu avô me ensinava que o figura singular de cabelo comprido e “barbicha” a que eu chamava o homem do cavaquinho era Julio Pereira. O “o homem dos 7 instrumentos” como o meu gostava de lhe chamar.
Das guitarras, à viola braguesa, passando pelo célebre cavaquino e pelo badolin muitos são os intrumentos que se fazem arte nas mãos de Julio Pereira.
Ao longo de mais de 30 anos de carreira este notável instrumentista lançou 15 discos, produziu 30, e com instrumentista participou em mais de 50!
Dos inumeros artistas com os quais colaborou podemos destacar: Fausto, Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso, Paulo de Carvalho, Carlos do Carmo, J. Barata Moura, Jorge Palma, José Mário Branco, Janita Salomé, Pete Seeger, João Afonso,Eugénia Melo e Castro, Sara Tavares…. Etc.
Muitas vezes não o saber, algumas das melodies intrumentais que sabemos trautear de trás pra frente são da autoria de Julio Pereira.
Um exemplo disso é esta musica, oiçam pelo menos até meio e diagam lá se conheçem ou não!
terça-feira, junho 12, 2007
Linda Martini
Rock verdadeiro...sem pop, sem pretenção comercial na maneira de compor e tocar.
Os Linda Martini, são uma lufada de ar fresco na musica nacional.
Têm uma qualidade intrumental invejável, da qual vive principalmente algumas das suas músicas.
Simplesmente porque muita gente começa a gostar, e eu não sou excepção, aqui está o principal êxito da banda até à data. Amor combate é uma uma musica de letra bem conseguida ainda que simples e capaz de provocar grandes descargas de energia de quem gosta do rock num estilo mais "old school"
Mas não se deixem enganar, há mais, em registos mais ou menos calmos, canções como: "dá-me a tua melhor faca", "Lição de voo nº 1", "cronógrafo" " a severa" ou "estuque" são, entre outras, motivo suficiente para parr uns minutos a ouvir umas guitarradas bem esgalhadas.
Linda Martini - Amor Combate
Eu quero estar lá
Quando tu tiveres de olhar para trás.
Sempre quero ouvir
Aquilo que guardaste para dizer no fim.
Eu não te posso dar
Aquilo que nunca tive de ti,
Mas não te vou negar a visita às ruínas que deixaste em mim.
Se o nosso amor é um combate
Então que ganhe a melhor parte.
O chão que pisas sou eu.
O nosso amor morreu quem o matou fui eu.
segunda-feira, maio 28, 2007
Diferença
E os cultos nascem da diferença, da coragem para remar contra a maré, de um pouco de loucura e da coragem em continuar mesmo sobre a sensura dos dedos ignorantes apontados, como os dedos que há muitos anos atrás apontavam para os leprosos como monstros.
Que vive no lado mais negro da realidade, quem dele faz arte e nele se mantém, é tido por muitos como seguidor do demónio, demente... ou depedente...
As performances e o carisma de Adolfo Luxúria Canibal fizeram nascer, desde os primeiros momentos, um culto muito especial à volta da banda: «Uma garganta funda que liberta bílis às golfadas, que espanca os espectadores com as palavras, que os excita e irrita, que conta histórias de sexo, de crime e de repressão» (Blitz 110, 09/12/86, António Pires acerca de Adolfo Luxúria Canibal no RRV). E o culto foi crescendo. Em 1986 ganharam o Prémio de Originalidade do III Concurso de Música Moderna do extinto Rock Rendez-Vouz.
Desde 1984 até hoje os Mão Morta têm levado a poesia à musica de uma forma nunca antes vista.
Com Poemas embalados por musicas desde as mais melancólicas até ao rock puro e duro tanto em albuns de originais, versões de musicas de outras bandas ("mãe" dos xutos&pontapés é um dos exemplos mais conhecidos) poemas de autoria própria e de outros. Tudo isto tem enriquecido a obra de uma banda que nunca deixou de agitar as mentes mais inquietas de quem, em Portugal não se satisfaz com o "normal".
Floresta em sonho
Mão Morta
Esta noite atravessava uma floresta a sonhar
Ela estava cheia de horror. Seguindo a cartilha
Os olhos vazios, que nenhum olhar compreende
Os bichos erguiam-se entre árvore e árvore
Esculpidos em pedra pelo gelo. Da linha
De abetos, ao meu encontro, através da neve
Vinha estalando, é isto um sonho ou são os meus olhos que avêem,
Uma criança de armadura, coiraça e viseira
A lança no braço. Cuja ponta faísca
No negro dos abetos, que bebe o sol
O último vestígio do dia uma seta de ouro
Atrás da floresta do sonho, que me faz sinal de morrer
E num piscar de olho, entre choque e dor,
O meu rosto olhou-me: a criança era eu.
sexta-feira, maio 11, 2007
Vozes...apenas
Estou de regresso às lides neste blog para falar de um quinteto que já há algum tempo tinha lugar reservado neste espaço.A primeira musica que ouvi vinda destas cinco magníficas vozes foi “os índios da meia-praia” de Zeca Afonso, resultante da participação no projecto de homenagem ao mesmo intitulado “filhos da madrugada”.
No seu ínicio o grupo portuense valia-se única e exclusivamente da voz para construir toda a melodia das canções, fazendo das vozes mais do que um meio para transmitir as palavras, verdadeiros instrumentos musicais. Tal facto pode ser verificado NESTA versão do original dos GNR “Dunas” .
Mais tarde introduziram algum instrumental nos seus trabalhos não deixando jamais que se descaracterize a essência dos Vozes da Rádio, o canto a cappella.
Mais do que cantores são verdadeiros músicos, tanto na intrepertação de originais como no arranjo de velhos êxitos da nossa musica.
O encanto do grupo não se acaba nas musicas que canta, passa também pelo sentido de humor apurado tanto em palco como fora dele que pode ser verificado por todos neste blog: http://vozesdaradio.blogspot.com/
Tu lês em mim
Descobres Sempre
Quem é o Bandidooo
Tu Andas por Perto
Com essa Coisa do Sexto Sentido
Que Eu Estou de Apetites
Encontro Eco
No teu Galanteio
Até ficarmos Quites
Marcamos X's
Na Coluna do Meio
Levas-me ao Mar
Que tensDentro de um Búzio
E eu Brinco
Nas Ondas do teu Cabelo
Como num Livro Aberto
Tens a Mania de me Pressentir
Sempre a Descoberto
Até Pareço
Que Falo a Dormir
Ter uma Fezada
Ganhar um pouco
Desse Teu Condão
Sem Tu dares por Nada
Pôr o teu Sonho
Na Palma da Mão
Levas-me ao MarQue tens
Dentro de um Búzio
E eu Brinco
Nas Ondas do teu Cabelo
Ps: ...no dia de te dar "aquele beijo especial" esta prenda é para ti "menina aluada", que me ensinaste a gostar mais e melhor destes 5 senhores e da sua música. Obrigado
domingo, abril 22, 2007
Despedida
As universidades são, ou pelo menos deveriam ser, fonte de cultura.
Uma das vertentes artísticas da cultura académica são as tunas.
As tunas são dos movimentos musicais mais ricos, em qualidade e em diversidade que temos
Hoje, à entrada da minha última Semana Académica enquanto estudante, coloco ao dispor de quem queira ouvir uma música que emociona qualquer um que como eu vê próxima a despedida, com a saudade já a espreita nas recordações que ficaram para trás nos últimos 4 anos.
Adeus minha universidade
Chegou a hora da partida
Eu já sinto a triste saudade
Quando envergo capa e batina
Negra a noite e o sentimento
Quando trino minha guitarra
E canto este meu lamento
E minhas fitas voam ao vento
Levam as minhas recordações
E são as negras capas na rua
Com serenatas comovem a lua
Perdem-se lágrimas de dor
Perdem-se gotas de vida
E minhas fitas voam ao vento
Levam as minhas recordações
E são as negras capas na rua
Com serenatas comovem a lua
terça-feira, abril 17, 2007
Será apenas treta?
O país não tem sabido agradecer aos que o fazem rir. Fazer rir representando um papel é, segundo os entendidos, mais difícil que fazer chorar.
Dos actores portugueses, aquele que mais admiro, e que melhores momentos me tem proporcionado é o actor e encenador José Pedro Gomes.
Na sua ligação ao trabalho de Herman José, desde os tempos do “caxuxo” do Casino Royal, até à Herman Enciclopédia ( que foi para mim o melhor programa de humor da TV portuguesa), entre outros, José Pedro Gomes tem feito rir muita gente com a sua genialidade.
No teatro, fez parceria com António Feio naquela que foi a mais brilhante interpretação que me recordo ter visto. Aconteceu em “O que diz Molero” em que durante 3 horas de diálogo e longos monólogos também, com uma expressão física que só por si enche o palco somos levados a viajar pelo riso, pela aventura, pelo amor, pela emoção, pelo medo….pelo mundo afinal! Como se estivéssemos a ler uma banda desenhada fantástica.Sem cenário, sem adereços, apenas com conversa simples de humor inteligente, embora muitas vezes camuflado pelos traços pouco intelectuais dos personagens.
Quer se queira quer não, é um feito tremendo e ao alcance apenas dos grandes artistas pôr uns país a rir de norte a sul com recorrendo a tão escassos trunfos.
Ps: Vejam o "Filme da treta"....os extras do DVD também! E lavem a alma com um sorRISO.