segunda-feira, julho 23, 2007

Almada Negreiros



"Namoro" Almada Negreiros



panorama

Estorva-me a terra por causa do sonho
estorva-me o sonho por causa da terra
eu ando na guerra do sonho com a terra.
Senhores empregados do mundo
tenham santa paciência
vale mais a vida do que a existência.

Almada Negreiros

José Sobral de Almada Negreiros, artista plástico, dramaturgo, ensaísta, romancista e poeta. (à direita "auto-retrato" de Almada Negreiros e em baixo à esquerda, retrato de Fernando Pessoa)
Nasceu em S. Tomé em 1893 tendo falecido em Lisboa em 1970.
Será sempre um dos nomes maiores da nossa cultura, por ser um artista multifacetado mas sobretudo pela genialidade imposta em todas as suas criações.

Fez parte da revista Orpheu, tornando-se juntamente com Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro entre outros um dos nomes essenciais do modernismo.

Almada Negreiros mostrou estar sempre à frente do seu tempo, sem papas na língua não hesitou em ser polémico e caustico na crítica sempre com a arte como arma de arremesso. Disto é o Manifesto anti-Dantas talvez o mais conhecido exemplo.
Aqui numa interpreação fantástica pela voz de outro grande nome, Mário Viegas, um dos melhores actores e encenadores portugueses de sempre, declamava a poesia como poucos:


segunda-feira, junho 25, 2007

Preto no branco

Já neste blog fiz referência a Antóneo Gedeão, mas é um terrivelmente injusto reduzir a sua obra à "Pedra Filosofal".
A obra de Gedeão não se resume ao poema “Pedra Filosofal”, nem à “calçada de Carriche” nem tão pouco se reduz à poesia.

António Gedeão , é mais que um poeta, é um homem da ciência, provido de uma sensibilidade e um humanismo por vezes comovente.

Pseudónimo de Rómulo de Carvalho, António Gedeão "licenciou-se em Ciências Físico-Químicas pela Universidade do Porto em 1931, traduziu como ninguém, a ciência para os leigos, desvendando segredos científicos com a mesma simplicidade com que os exemplificava.

Afirmando-se como um dos mais brilhantes e talentosos criadores lusófonos do século XX, professor, pedagogo e historiador da ciência , demonstro um espírito extremamente marcado pelo cepticismo e pela ironia, sempre presentes nos seus poemas."
Há poucos dias um amigo de comprovado bom gosto mostrou-me um video que é um autêntico tesouro de um poema de A. Gedeão cantado por Manuel freire.
Lágrima de Preta é um poema comovente na sua simplicidade, é um hino à luta anti-racista que Gedeão publicou num tempo em a guerra colonial e o regime abafavam o evoluir dos ideais de tolerância e de irmandade entre os povos.
Neste poema Gedeão usa a poesia para explicar cientificamente que afinal a lágrima de um preta é tão cristalina como outra qualquer.

Será este poema parte obrigatório no programa de ensino da nossa língua nas escolas? Se não é, devia ser. Pois a formação moral deve ser a base de todo o conhecimento.
Aqui interpretado por Manuel Freire:




Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.


Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.


Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.


Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.


Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:


nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.


Lágrima de preta
(António Gedeão)
Ps: Uma palavra de agradecimento à 100 SENTIDOS por ter votado neste blog para as 7 marvilhas da blogosfera... não posso deixar de o considerar um exagero pois limito-me a publicar obra feita por quem realmente merece admiração.

terça-feira, junho 19, 2007

Julio Pereira

O novo disco foi baptizado de "GEOGRAFIAS" , e está disponível para todos o decobrirmos. Por isso é uma pequena viagem no tempo que sugiro.

As notícias recentes do regresso aos albums de Julio Pereira enquanto autor e interprete fizeram-me reavivar algumas memórias de infância.
Memórias das noites junto à lareira a ver tv em que o meu avô me ensinava que o figura singular de cabelo comprido e “barbicha” a que eu chamava o homem do cavaquinho era Julio Pereira. O “o homem dos 7 instrumentos” como o meu gostava de lhe chamar.


Das guitarras, à viola braguesa, passando pelo célebre cavaquino e pelo badolin muitos são os intrumentos que se fazem arte nas mãos de Julio Pereira.
Ao longo de mais de 30 anos de carreira este notável instrumentista lançou 15 discos, produziu 30, e com instrumentista participou em mais de 50!


Dos inumeros artistas com os quais colaborou podemos destacar: Fausto, Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso, Paulo de Carvalho, Carlos do Carmo, J. Barata Moura, Jorge Palma, José Mário Branco, Janita Salomé, Pete Seeger, João Afonso,Eugénia Melo e Castro, Sara Tavares…. Etc.
Muitas vezes não o saber, algumas das melodies intrumentais que sabemos trautear de trás pra frente são da autoria de Julio Pereira.

Um exemplo disso é esta musica, oiçam pelo menos até meio e diagam lá se conheçem ou não!


terça-feira, junho 12, 2007

Linda Martini

Simplesmente porque é uma banda portuguesa, que canta em português as letras de canções rock.
Rock verdadeiro...sem pop, sem pretenção comercial na maneira de compor e tocar.
Os Linda Martini, são uma lufada de ar fresco na musica nacional.
Têm uma qualidade intrumental invejável, da qual vive principalmente algumas das suas músicas.

Simplesmente porque muita gente começa a gostar, e eu não sou excepção, aqui está o principal êxito da banda até à data. Amor combate é uma uma musica de letra bem conseguida ainda que simples e capaz de provocar grandes descargas de energia de quem gosta do rock num estilo mais "old school"

Mas não se deixem enganar, há mais, em registos mais ou menos calmos, canções como: "dá-me a tua melhor faca", "Lição de voo nº 1", "cronógrafo" " a severa" ou "estuque" são, entre outras, motivo suficiente para parr uns minutos a ouvir umas guitarradas bem esgalhadas.





Linda Martini - Amor Combate

Eu quero estar lá
Quando tu tiveres de olhar para trás.
Sempre quero ouvir
Aquilo que guardaste para dizer no fim.
Eu não te posso dar
Aquilo que nunca tive de ti,
Mas não te vou negar a visita às ruínas que deixaste em mim.
Se o nosso amor é um combate
Então que ganhe a melhor parte.
O chão que pisas sou eu.
O nosso amor morreu quem o matou fui eu.

segunda-feira, maio 28, 2007

Diferença

Por vezes a expressão faz-se de cultos muito particulares a determinado artista, banda, obra etc

E os cultos nascem da diferença, da coragem para remar contra a maré, de um pouco de loucura e da coragem em continuar mesmo sobre a sensura dos dedos ignorantes apontados, como os dedos que há muitos anos atrás apontavam para os leprosos como monstros.

Que vive no lado mais negro da realidade, quem dele faz arte e nele se mantém, é tido por muitos como seguidor do demónio, demente... ou depedente...

Fundados em 1984 os MÃO MORTA deram o seu concerto de estreia em janeiro de 1985.

As performances e o carisma de Adolfo Luxúria Canibal fizeram nascer, desde os primeiros momentos, um culto muito especial à volta da banda: «Uma garganta funda que liberta bílis às golfadas, que espanca os espectadores com as palavras, que os excita e irrita, que conta histórias de sexo, de crime e de repressão» (Blitz 110, 09/12/86, António Pires acerca de Adolfo Luxúria Canibal no RRV). E o culto foi crescendo. Em 1986 ganharam o Prémio de Originalidade do III Concurso de Música Moderna do extinto Rock Rendez-Vouz.

Desde 1984 até hoje os Mão Morta têm levado a poesia à musica de uma forma nunca antes vista.
Com Poemas embalados por musicas desde as mais melancólicas até ao rock puro e duro tanto em albuns de originais, versões de musicas de outras bandas ("mãe" dos xutos&pontapés é um dos exemplos mais conhecidos) poemas de autoria própria e de outros. Tudo isto tem enriquecido a obra de uma banda que nunca deixou de agitar as mentes mais inquietas de quem, em Portugal não se satisfaz com o "normal".



Floresta em sonho
Mão Morta

Esta noite atravessava uma floresta a sonhar
Ela estava cheia de horror. Seguindo a cartilha
Os olhos vazios, que nenhum olhar compreende
Os bichos erguiam-se entre árvore e árvore
Esculpidos em pedra pelo gelo. Da linha
De abetos, ao meu encontro, através da neve
Vinha estalando, é isto um sonho ou são os meus olhos que avêem,
Uma criança de armadura, coiraça e viseira
A lança no braço. Cuja ponta faísca
No negro dos abetos, que bebe o sol
O último vestígio do dia uma seta de ouro
Atrás da floresta do sonho, que me faz sinal de morrer
E num piscar de olho, entre choque e dor,
O meu rosto olhou-me: a criança era eu.

sexta-feira, maio 11, 2007

Vozes...apenas

Estou de regresso às lides neste blog para falar de um quinteto que já há algum tempo tinha lugar reservado neste espaço.


Os VOZES DA RÁDIO são um quinteto vocal formado em 1991 na cidade doPorto.

A primeira musica que ouvi vinda destas cinco magníficas vozes foi “os índios da meia-praia” de Zeca Afonso, resultante da participação no projecto de homenagem ao mesmo intitulado “filhos da madrugada”.

No seu ínicio o grupo portuense valia-se única e exclusivamente da voz para construir toda a melodia das canções, fazendo das vozes mais do que um meio para transmitir as palavras, verdadeiros instrumentos musicais. Tal facto pode ser verificado NESTA versão do original dos GNR “Dunas” .
Mais tarde introduziram algum instrumental nos seus trabalhos não deixando jamais que se descaracterize a essência dos Vozes da Rádio, o canto a cappella.
Mais do que cantores são verdadeiros músicos, tanto na intrepertação de originais como no arranjo de velhos êxitos da nossa musica.

O encanto do grupo não se acaba nas musicas que canta, passa também pelo sentido de humor apurado tanto em palco como fora dele que pode ser verificado por todos neste blog: http://vozesdaradio.blogspot.com/
Belas palavras e excelentes vozes, em melodias que nos embalam com uma suavidade dificilmente igualável.

É dificil imaginar a quantidade de horas de ensaios necessárias para atingir tamanha sincronização e afinação, mas quando o resultado é aquele que se vê...

E que tal este exemplo para atestar o que acabo de dizer? Verão que vale a pena!






Tu lês em mim
Como num Livro Aberto
Descobres Sempre
Quem é o Bandidooo

Se há um Mistério
Tu Andas por Perto
Com essa Coisa do Sexto Sentido

Naqueles Dias
Que Eu Estou de Apetites
Encontro Eco
No teu Galanteio

Trocamos TUDO
Até ficarmos Quites
Marcamos X's
Na Coluna do Meio

Se às vezes fico macambúzio
Com a Expressão de Peixinho Amarelo
Levas-me ao Mar
Que tensDentro de um Búzio
E eu Brinco
Nas Ondas do teu Cabelo

Tu Lês em Mim
Como num Livro Aberto
Tens a Mania de me Pressentir

Eu tenho o Saldo
Sempre a Descoberto
Até Pareço
Que Falo a Dormir

Quem dera um Dia
Ter uma Fezada
Ganhar um pouco
Desse Teu Condão

E pela Noite
Sem Tu dares por Nada
Pôr o teu Sonho
Na Palma da Mão

Se às vezes fico Macambúzio
Com a Expressão de Peixinho Amarelo
Levas-me ao MarQue tens
Dentro de um Búzio
E eu Brinco
Nas Ondas do teu Cabelo


Ps: ...no dia de te dar "aquele beijo especial" esta prenda é para ti "menina aluada", que me ensinaste a gostar mais e melhor destes 5 senhores e da sua música. Obrigado

domingo, abril 22, 2007

Despedida

As universidades são, ou pelo menos deveriam ser, fonte de cultura.

Uma das vertentes artísticas da cultura académica são as tunas.

As tunas são dos movimentos musicais mais ricos, em qualidade e em diversidade que temos em Portugal. Sendo também uma bandeira do país nos muitos festivais internacionais de tunas. As tunas cantam e tocam o fado de Coimbra, serenatas, baladas, versões de musicas já existentes, originais, musica alegre, musica humorística, entre outros estilos que se vão adaptando ao toque dos estudantes.

Hoje, à entrada da minha última Semana Académica enquanto estudante, coloco ao dispor de quem queira ouvir uma música que emociona qualquer um que como eu vê próxima a despedida, com a saudade já a espreita nas recordações que ficaram para trás nos últimos 4 anos.





Adeus minha universidade

Chegou a hora da partida

Eu já sinto a triste saudade

Quando envergo capa e batina

Choro sobre esta minha capa

Negra a noite e o sentimento

Quando trino minha guitarra

E canto este meu lamento

E minhas fitas voam ao vento

Levam as minhas recordações

E são as negras capas na rua

Com serenatas comovem a lua

Choras a minha despedida

Perdem-se lágrimas de dor

Perdem-se gotas de vida

E minhas fitas voam ao vento

Levam as minhas recordações

E são as negras capas na rua

Com serenatas comovem a lua

E assim me dispeço até daqui a uma semana, pois não terei possibilidade de publicar nada nos próximos dias!

terça-feira, abril 17, 2007

Será apenas treta?


O país não tem sabido agradecer aos que o fazem rir. Fazer rir representando um papel é, segundo os entendidos, mais difícil que fazer chorar.


Dos actores portugueses, aquele que mais admiro, e que melhores momentos me tem proporcionado é o actor e encenador José Pedro Gomes.


Na sua ligação ao trabalho de Herman José, desde os tempos do “caxuxo” do Casino Royal, até à Herman Enciclopédia ( que foi para mim o melhor programa de humor da TV portuguesa), entre outros, José Pedro Gomes tem feito rir muita gente com a sua genialidade.

No teatro, fez parceria com António Feio naquela que foi a mais brilhante interpretação que me recordo ter visto. Aconteceu em “O que diz Molero” em que durante 3 horas de diálogo e longos monólogos também, com uma expressão física que só por si enche o palco somos levados a viajar pelo riso, pela aventura, pelo amor, pela emoção, pelo medo….pelo mundo afinal! Como se estivéssemos a ler uma banda desenhada fantástica.
É com António Feio, também ele alvo de grande admiração da minha parte que tem partilhado muitos sucessos no teatro e na TV.

O merecido êxito mediático surgiu a galope nas palavras de uma conversa da treta.
Sem cenário, sem adereços, apenas com conversa simples de humor inteligente, embora muitas vezes camuflado pelos traços pouco intelectuais dos personagens.
Quer se queira quer não, é um feito tremendo e ao alcance apenas dos grandes artistas pôr uns país a rir de norte a sul com recorrendo a tão escassos trunfos.

A cultura não está apenas nos “livros”. A palavra cultura define as “características de um povo”, e cada um de nós reconhece um pouco do Toni e do ZéZé. São duas caricaturas brilhantes, e hilariantes de um Portugal que não é cinzento ao contrário do que muitos dizem. É repleto de matéria prima para que o humor seja uma arte por mais simples e popular que seja a forma como é apresentado.





Ps: Vejam o "Filme da treta"....os extras do DVD também! E lavem a alma com um sorRISO.

quarta-feira, abril 11, 2007

Homenagem ao trovador

Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira nasceu em Avintes, em 9 de Abril de 1942 e faleceu ainda jovem aos 40 anos.
Cantor e compositor de grande qualidade, ninguém diria ao contemplar a extensão da obra que deixou que teve tão escassos anos de vida.. Adriano Correia de Oliveira estudou direito em Coimbra, e foi lá que se começou a notabilizar como um dos grandes intérprete do fado de Coimbra. Em 1963 saiu o primeiro disco "Fados de Coimbra" que continha Trova do vento que passa, essa balada fundamental da sua carreira, com poema de Manuel Alegre, em consequência da sua resistência ao regime salazarista, e que as suas movimentações levaram a gravar, foi o hino do movimento estudantil. Em 1975 lançou "Que Nunca Mais", com direcção musical de Fausto e textos de Manuel da Fonseca Este discolevou a revista inglesa Music Week a elegê-lo como "Artista do Ano". A sua filha Isabel Oliveira, recebeu em nome do pai das mãos de Mário Soares a Ordem da Liberdade.

Na Marinha Grande, no museu do vidro, na passada 2ª feira, (data do 65º aniversário do nascimento de Adriano) foi feita uma homenagem a Adriano Correia de Oliveira, com a presença de várias personalidades, amigos do cantor, e familiares.
Foi feita nessa sessão solene, para além da inauguração de uma exposição sobre a vida e obra de Adriano, a apresentação do CD “Adriano Sempre…” composto por versões livres dos temas mais conhecidos do cantor interpretados por músicos marinhenses e nacionais. No dia 21 de Abril, no parque municipal de exposições da Marinha Grande esse CD dará o mote a um grande concerto, inserido nas comemorações do 25 Abril, em que vários artistas envolvidos na gravação do CD vão interpretá-lo em palco.

este é link para saber mais sobre a iniciativa de que falei e sobre a vida e obra de Adriano Correia de Oliveira.


O convite está feito. Aparece …e traz outro amigo também!

Trova do vento que passa



Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diza
o trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de sevidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

terça-feira, abril 03, 2007

Peter's, a música e não só.

Os Trovante começaram em 1976, em Sagres, quando um grupo de amigos se juntou para fazer música. A sua formação original era constituída por João Nuno Represas, Luís Represas, Manuel Faria, João Gil e Artur Costa.
Em 1990 o grupo edita o seu último disco de estúdio "Um Destes Dias" que terá em "Timor"o seu maior êxito.
Entre 76 e 90, os Trovante deixaram uma forte marca na música portuguesa, com algumas canções que se mantêm firmes entre as mais ouvidas da nossa música.

Falo agora de um local Mítico na Ilha do Faial.
«Se velejares até à Horta e não visitares o “Peter”, não viste a horta na realidade». Esta é, sobretudo entre os yatchmen (velejadores), uma expressão comum que expressa uma realidade que se foi constituindo em torno de um café-bar que ganhou uma projecção mundial notável primeiro entre o “iatismo” internacional que lá encontra acolhimento, apoio, e ambiente para aceso e franco convívio, depois entre o comum turista que lá busca a mística e a fama de um ambiente especial e de um gin único.
A meio caminho entre a Europa e a América, os Açores são geograficamente um ponto estratégico de paragem obrigatória nas navegações atlânticas.
Desde o principio do séc. xx que o “Peter” café Sport tem passado de pai para filho na família Azevedo, mantendo firme a herança da tradição pela qual este local mítico ganhou a sua dimensão mundial.
A mística do “Peter” está bem retratada na canção que lhe foi dedicada pelos trovante. Para mim uma das melhores da banda, e qe tem uma mensagem espectacular na sua letra.
Mais do que um café o “Peters” é um cartão de visita de Portugal no mundo. Um ícone da nossa cultura na arte de bem receber, de ajudar que vem solitário em viajem, de esperar com os braços abertos, e um acenar de amizade na partida que leva na saudade de um copo de gin a vontade de voltar.
Vale a pena ler a AQUI a historia do “peter”.

PETER´S - TROVANTE



Encontro uma ilha
Será maravilha ou tem
O que ninguém deu
Durante a viagem
P´ro outro lado

É mais outra ilha
Será que é mais outro porto
Em que se bebeuE se esqueceu
Um outro fado

[refrão]

Há quem espere por nós assim
Mesmo ao meio da rota do fim
Há quem tenha os braços abertos
Para nos aquecer
E acenar no fim

Há quem tema por nós assim
Quando os barcos partem por fim
Há quem tenha os braços fechados
Com beijo jurado
Eu voltarei pra ti


Nunca é miragem
Sabemos que o cais é certo
É a estrela polar
Em sol aberto
A castigar

Ficamos mais perto
Sentimos mais dentro a força
Do que nós somos
E do que queremos
Reconquistar

[refrão]

Dança de nuvens
O vento é meu companheiro
P´ra me embalar
No meu repouso
De aventureiro

[refrão]